Nova lei reconhece oficialmente a importância dos forrozeiros e fortalece a valorização da cultura nordestina no estado
O estado de Alagoas passa a contar oficialmente com uma nova data em seu calendário cultural: o Dia do Forrozeiro Alagoano, instituído pela Lei nº 9.861, de 10 de abril de 2026.
A data será celebrada anualmente em 6 de novembro, em homenagem ao nascimento de José Lessa Gama, forrozeiro, pesquisador, memorialista e uma das principais referências na defesa e valorização do forró em Alagoas.
A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Inácio Loiola, representa um importante avanço no reconhecimento institucional da cultura popular nordestina e de seus agentes.
Rosiane Pedrosa e Inácio Loiola destacam a importância da lei
Durante encontro na Assembleia Legislativa de Alagoas, a presidente da ASFORRAL, Rosiane Pedrosa, destacou o significado da criação da data:
“José Lessa não morreu. Um guerreiro não morre, um guerreiro é plantado para gerar novas sementes.”
Rosiane também ressaltou que a conquista representa não apenas uma homenagem, mas um passo na luta contínua pela valorização dos forrozeiros.
Já o deputado Inácio Loyola reforçou o papel do forró como elemento central da cultura nordestina:
“O forró é a música que mais marca o povo nordestino. Não podemos deixar de reconhecer a importância de quem defendeu essa bandeira.”
O parlamentar também destacou a relevância econômica das festas juninas para o Nordeste e a necessidade de valorização dos artistas locais, além de defender maior espaço para a música nordestina nas programações juninas.
Uma homenagem a quem dedicou a vida ao forró
José Lessa Gama foi mais do que um pesquisador: foi um articulador, um mobilizador cultural e um defensor incansável do forró como patrimônio.
Seu trabalho deu origem ao site Forró Alagoano, que hoje se consolida como um dos principais acervos digitais sobre o gênero no estado, reunindo artistas, histórias e registros fundamentais para a memória do forró.
A escolha da data de seu nascimento como marco oficial reforça o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação, compromisso e impacto real na cultura alagoana.
José Lessa: cultura como ferramenta de transformação social
A trajetória de José Lessa no forró começa muito antes do reconhecimento institucional.
Nos anos 1980, sua atuação já estava ligada à organização comunitária no bairro do Feitosa, em Maceió, por meio da associação de moradores. Naquele período, o território ainda carecia de infraestrutura básica, como pavimentação, coleta de lixo, delegacia e posto de saúde.
Foi nesse contexto que passou a utilizar o forró, a quadrilha, o guerreiro e o pastoril como ferramentas de mobilização social, contribuindo diretamente para a organização da comunidade e para as transformações que estruturaram o bairro ao longo dos anos.
Foi também nesse período que conheceu o cantor e compositor Sandoval do Forró, iniciando uma relação que atravessaria décadas.
Anos depois, já com uma trajetória consolidada na pesquisa e documentação do forró por meio do Forró Alagoano, foi convidado por Sandoval a contribuir na criação de uma nova associação voltada à valorização do gênero.
Desse encontro, nasceu a base do que viria a se tornar a ASFORRAL (Associação dos Forrozeiros de Alagoas), da qual José Lessa foi um dos fundadores e principal articulador na sua organização.
Com sua atuação, foi possível:
- resgatar trios de forró que haviam se afastado da cena
- estimular o surgimento de uma nova geração de músicos
- valorizar artistas e referências históricas do forró alagoano, como Clemilda e Gerson Filho
- fortalecer a memória e a identidade do gênero no estado
Entre essas ações, destaca-se também a criação do Palco Móvel do Forró, além de iniciativas que levaram o forró para dentro das escolas, utilizando a música como ferramenta de formação cultural.
Mais do que um pesquisador, José Lessa foi um articulador de processos — alguém que compreendeu o forró como expressão artística, identidade cultural e instrumento de transformação social.
Um passo importante para a valorização dos forrozeiros
A criação do Dia do Forrozeiro não é apenas simbólica.
Ela representa:
- o reconhecimento dos artistas como trabalhadores da cultura
- o fortalecimento da identidade nordestina
- a valorização da música tradicional nas políticas públicas
- a ampliação do debate sobre condições de trabalho e dignidade para a classe artística
Forró, identidade e desenvolvimento
Além de seu valor cultural, o forró também é uma importante força econômica.
As festas juninas movimentam cidades inteiras, especialmente no interior do Nordeste, gerando renda, emprego e fortalecendo cadeias produtivas locais.
Um reconhecimento que aponta para o futuro
A criação do Dia do Forrozeiro Alagoano se soma a outras iniciativas que buscam fortalecer o forró como patrimônio cultural.
Mais do que celebrar o passado, a data convida à reflexão sobre o presente e o futuro da cultura nordestina.
E reafirma que o forró segue vivo.






